Aldrich e Cassavetes

Relendo trechos de Afinal, Quem Faz os Filmes, o livro de entrevistas de Peter Bogdanovich que quase todo mundo conhece e ao qual sempre se retorna. Uma de minhas passagens favoritas é na introdução da entrevista com Robert Aldrich em que Bogdanovich conta sobre o quanto que o cineasta ajudou John Cassavetes, que logo após o sucesso independente de Shadows fora chamado para dirigir dois filmes em Hollywood, uma experiência infeliz por causa das interferências dos produtores que podavam a visão de Cassavetes, que escandalizou a indústria ao chegar aos sopapos com Stanley Kramer, porque este tinha alterado a montagem do seu filme. Hollywood o colocou na lista negra, e Cassavetes durante anos ficou sem trabalhar como diretor ou ator (conseguindo no máximo depois de algum tempo atuar em filmes de produção vagabunda que não lhe trouxeram retorno financeiro significativo para a produção de seus filmes como diretor). Praticamente ninguém se importou ─ exceto Aldrich, que contrariou a todos e rompeu a lista negra extra-oficial chamando Cassavetes para atuar em Os Doze Condenados, num papel pequeno, que Aldrich incentivou Cassavetes a ampliar e transformar no melhor desempenho do filme. Foi indicado ao Oscar de Coadjuvante e logo contratado para grandes produções (como O Bebê de Rosemary), possibilitando que sua carreira de cineasta pudesse ser retomada com Faces, o recomeço da filmografia cassavetiana.

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