Zumbilândia (Ruben Fleischer, 2009)

“O cara aí sou eu. Em Garland, Texas. Parece destruída por zumbis, mas já era assim antes”. Uma das boas surpresas do ano é esse grande divertimento com toques de horror e aventura, numa conjugação de gêneros cinematográficos que rima canibalismo com adolescência (num cruzamento improvável entre Romero e Greg Mottola), com o protagonista juvenil (Jesse Eisenberg, de Adventureland) perdido diante de um mundo inscrito no clássico tema da possessão, do vazio e descaracterização dos monstros humanos que cruzam o seu caminho e contra os quais precisa lutar. O filme de Fleischer possui também aquela noção de camaradagem de um pequeno grupo em torno de um trabalho em equipe que John Carpenter herdou diretamente de Hawks (contando inclusive com Woody Harrelson como um velho caubói em uma versão madura e menos simpática do personagem de Kurt Russell em Os Aventureiros do Bairro Proibido). São ambos os papéis de Eisenberg e Harrelson personagens postos à margem de uma sociedade falida, e ao se encontrarem numa estrada desértica, terão que se unir para se deslocarem por todo um país devastado em sua imensidão apocalíptica, não sem antes precisarem superar uma desconfiança inicial em relação um ao outro, se formando  uma ética de relação entre os dois e a necessidade de se juntarem diante da adversidade. Mais adiante, nas figuras de duas irmãs que vivem de pequenos golpes temos o surgimento das presenças femininas invadindo o espaço masculino tanto para ajudar quanto para atrapalhar a vida de nossos heróis, o que vai realçar a crescente dificuldade dos personagens em confiar um nos outros. Zumbilândia marca pela fluidez de sua narrativa e por ser direto e inconseqüente, sem grandes preocupações (o que não deve ser confundido com superficialidade) e com achados perversos como o de logo no começo inserir em cena a vizinha dos sonhos do rapaz como uma morta-viva. Já a supracitada participação de Bill Murray é uma sequência muito engraçada se pensada isoladamente (ela parece estar à parte do filme), mas tira o filme dos trilhos momentaneamente (Harrelson, por exemplo, se torna patético e irritante demais nessa hora). Parece que a continuação já está prevista para o ano que vem, a ser comandada pelo mesmo diretor.

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8 Respostas para “Zumbilândia (Ruben Fleischer, 2009)

  1. Woody Harrelson está ótimo mesmo, com uma presença em cena muito bem aproveitada. Recentemente também conferi “O Acompanhante”, de Paul Schrader, em que Harrelson também está notável.

  2. Belo post! Eu que te recomendei o filme, portanto merecia uma menção honrosa hahaha, brincadeira. Enfim, o filme me lembra muito Mottola inclusive no fator iluminação (na cena no parque de diversões), mas as comparações com Romero também são bem cabíveis, inclusive na narrativa (o filme é bem Diário dos Mortos).

    Abraço!

    • Sim, você havia sido um dos que me falarm bem do filme. Enquanto o assistia lembrei também no Assalto a 13 DP do Carpenter, pensando em como (no Zumbilândia) eles são um pequeno grupo dentro de um país que àquela altura já não era mais que uma grande prisão no qual só resta lutar.

  3. O filme mais divertido que eu vi no ano até agora, a sequência com o Murray é muito engraçada, mas foi legal vc citar que quebra o ritmo pq eu também senti isso, de resto tá impecável, o quarteto principal tem um carisma imenso.

  4. Sim, eu tenho a impressão de que a sequência inteira com o Murray só não foi descartada na montagem porque ela por si só provoca grandes gargalhadas.

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