Bravura Indômita (Coens, 2010)

Westerns são o gênero cinematográfico por excelência, que fazem parte não apenas de um determinado tempo da crônica da formação norte-americana, mas sobretudo à um período específico do cinema que não mais existe. Se Os Imperdoáveis foi o testamento definitivo do gênero, fazer um grande faroeste depois dele tornou-se quase impossível, a unica exceção por conta de Dead Man, que problematizava o gênero apresentando-o como uma espécie de fantasma, ao mesmo tempo existindo em suspenso e se movendo acima de gêneros ou qualquer tempo. Os Coens não problematizam nem colocam nada em crise, tampouco realizam algo que possamos chamar de um legítimo western, utilizando o contexto e ambiente do Oeste como decoração e ornamento para True Grit (como se estivessem filmando mais um filme de época do que um faroeste propriamente dito), com um senso de inautenticidade que faz com que os atores mais pareçam fantasiados do que genuinamente ligados aos seus papéis e à època em que o enredo transcorre. E uma insignificância estética que o aproxima de algum telefime ambientado no Velho Oeste, além de explorar um fetichismo em cima da figura encarnada por Jeff Bridges (que é só maquiagem e grunhidos) parecida com o que Aronovsky faz com Mickey Rourke em O Lutador. True Grit é uma extensão ainda mais mecânica e menos interessante de Onde os Fracos Não Tem Vez. Suas intenções são sérias, mas o resultado é perto do pastiche ou da caricatura.

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8 Respostas para “Bravura Indômita (Coens, 2010)

  1. Você falar mal deles já é de praxe hehehe.
    Mas sério,esses últimos dele(tirando o No country,pelo menos pra mim)realmente tem uma “artificialidade” meio desinteressante.Nada grave como os filmes do Park chan wook(que mal sobrevivem à primeira vista,que dirá a uma revisão),mas eles tem uma tendência a me desinteressar num futuro próximo.Continuo achando que tem coisa boa ali(são filmes divertidos,no mínimo),mas eu to me interessando tanto por um cinema que é o completo oposto desse que eles fazem,que prevejo que eles realmente cairão bastante.

    • Bem, eu sempre estou disposto a me surpreender positivamente com algum filme novo deles, mas não foi dessa vez hehe.
      Isso que está acontecendo com você é o que vem acontecendo comigo faz alguns anos (desde o próprio No country, que não vejo como um filme ruim, mas também nada que me interesse tanto), e que fez com que filmes mais antigos deles que eu tinha em alta conta (Fargo e O homem que não estava lá, entre outros) caissem tanto em meu conceito, fora outros mais recentes que acho bem ruins mesmo, tudo por causa dessa artificialidade. Mas nada que me faça odiar tanto os irmãos, sempre guardarei ótimas lembranças de O Grande Lebowski, que de memória continua um filme divertidissimo e o qual acredito que quando o rever será com grande satisfação.

    • “Bonito” sim, de uma maneira decorativa que empregariamos para um filme de época, não para um western.

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