Absolutamente Certo (Anselmo Duarte, 1957)

Voltando a atualizar o blog depois de algum tempo sem escrever nada por aqui. Nesse tempo todo, pude rever no Canal Brasil depois de muitos anos o Absolutamente Certo, estréia na direção de Anselmo Duarte, então um dos galãs mais famosos do país. O que agora me chamou mais a atenção foi as semelhanças do argumento com o péssimo Quem Quer Ser Milionário (2007), de Danny Boyle: em seu filme, Anselmo interpreta um sujeito pobre conhecido por ter decorado a lista telefônica inteira de São Paulo por causa do seu trabalho como funcionário numa gráfica, e devido a essa peculiaridade é chamado para um programa de perguntas e respostas na TV (nos primórdios do veículo no Brasil), uma espécie de Show do Milhão da época chamado “Absolutamente Certo”, onde poderá ganhar um milhão de cruzeiros se passar por todas as fases respondendo certo as questões que lhe são feitas. Há intrigas com a família e a namorada, e com os membros de uma pequena máfia que controla as apostas, em suma, um enredo bem próximo do filme oscarizado de Danny Boyle.

Mas que ninguém se engane: ainda que a sinopse possa soar desanimadora, um mesmo argumento pode servir tanto para um filme todo errado como para um bem digno, bastante divertido realizado cinquenta anos antes, como esse Absolutamente Certo. Anselmo aprendeu em suas produções como ator na Vera Cruz e Atlântida a fazer um filme popular, e ainda que não conte com a graça de comediantes como Oscarito, também está livre de alguns cacoetes da chanchada ou dos tons empolados da Vera Cruz. O diretor estreante é esforçado, mas humilde diante de seu material, consciente do que pode ou não concretizar, e faz uma crônica bem-humorada sobre a sua época (fazendo inclusive um comentário sobre a invasão da música norte-americana no país). Ainda que não seja um musical, os números com canto e dança estão bem coreografados e integrados à trama (inclusive aproveitando o surgimento do rock no Brasil), um recurso quase obrigatório às produções da época, mas que em Absolutamente Certo não soam deslocados ou apenas para encherem lingüiça. Um belo acerto do diretor que pouco depois faria o premiado O Pagador de Promessas.

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