Caminhos Mal Traçados (Francis Ford Coppola, 1969)

Esperava mais de The Rain People, o filme que colocou Coppola no mapa no final da década o fazendo despontar como uma revelação, mas é um filme que envelheceu bastante. Durante muito tempo foi um trabalho de prestígio no curriculo do seu realizador, e considerado um dos seus melhores, mas já há muito que mal lembram do filme, que no começo faz pensar em Five Easy Piece (que é bem superior), de Bob Rafelson, outro filme com visão bem melancólica e desoladora em volta de figuras marginalizadas e sem ter para onde irem. O do Coppola não é ruim, mas força demais em torno de situações desagradáveis provocadas por seus personagens desajustados (Knight e Caan no filme todo , e Robert Duvall e a filha no final). A relação entre Shirley Knight e James Cann me fez pensar na de Robin Wright e Tom Hanks em Forrest Gump, para se ter uma idéia. Ela é uma dona de casa infeliz e grávida que abandona o marido e põe o pé na estrada por um tempo, dando carona a um ex-jogador de futebol que a acompanha em seu trajeto todo. Não demora ela descobre que o rapaz abandonou precocemente o esporte por causa de contusões na cabeça que o debilitaram mentalmente e ela percebe estar com um problema em mãos. Retardados são personagens delicados de serem retratados no cinema, e à parte uma interpretação bastante esforçada de Caan, não saberia dizer até onde Coppola acertou na descrição do seu protagonista masculino. Mas é um filme que pode agradar em cheio aos admiradores do cinema americano da época (entre os quais, eu me incluo).

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3 Respostas para “Caminhos Mal Traçados (Francis Ford Coppola, 1969)

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  2. Eu gosto bastante dos “filmes pequenos” do Coppola, mais íntimos, como esse. Acho que se deu bem no retatro com algumas falhas, mas não encontrei muitos exageros, mesmo na composição do ex-jogador.

  3. Eu gosto do filme também, mas já curti mais esse cinema americano dos anos 60/70 que as vezes atinge certo ranço em torno da falta de perspectivas, das injustiças sociais, de não ter para onde ir etc. Muitos desses filmes transcendem isso tudo e nos maravilham sempre (o próprio Five Easy Piece, Two-Lane Blacktop, os do Aldrich da época, entre outros), mas esse do Coppola ao meu ver fica apenas no meio do caminho. Do diretor, prefiro bem mais quase todos os que ele fez em um outro período não muito celebrado, os da fase 1982-1992, mais maduros e bem-resolvidos em sua maioria (embora alguns desses também preciso rever). Não dou para The Rain People nota ou cotação baixa, mas média (algo em torno de 7/10).

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