Zingu

Desde a ultima vez que havia comentado sobre a Zingu por aqui (em abril) sairam trê edições da revista, duas delas com foco em torno de montadores do cinema paulista, e a que saiu agora, sobre o cineasta Tony de Souza. Contando com os especiais e colunas que normalmente acompanham os dossiês, colaborei com textos para alguns filmes nacionais da década de oitenta: um artigo sobre os filmes de sexo explícito dirigidos por José Mojica Marins, também sobre dois dos melhores filmes brasileiros realizados naquele período: A Dama do Cine Shanguai e o genial O Segredo da Múmia, este último dentro da seção Filme-Farol, a qual fui o convidado da ocasião; e nessa última edição, um texto sobre o raro O Avesso do Avesso. Vale destacar também nessa atualização mais recente uma extensa entrevista com Hernani Heffner.

Inácio

Já havia postado essa nota ontem no fórum do Cineplayers, mas vale republicar aqui: O crítico Inácio Araujo tem postado em seu blog uma série de textos muito bons sobre Howard Hawks, enquanto acompanha uma retrospectiva do cineasta no exterior. Ele comentou um bocado sobre cada um dos filmes mudos do diretor, e de alguns dos primeiros sonoros, tomara que continue postando sobre ele. Na verdade, o Inácio deveria escrever mesmo um livro inteiro sobre o cineasta (que nem fez com o Hitchcock para a Brasiliense nos anos 80), ainda mais que a bibliografia em português sobre o Hawks é bem escassa (o único bom material disponivel, até onde eu sei, é a longa entrevista para Peter Bogdanovich publicada no livro Afinal, Quem Faz os Filmes?). Em poucas linhas ele resumiu muito bem a essência do Hawks, o que vale pras comédias malucas, os faroestes ou filmes de caçadas e de ação que dirigiu. Esse trecho em especial é bastante elucidativo:

“O filme é comandado pelos olhos do herói. Mas este olhar é duplo. Ele olha um mundo que deve compreender e dominar, pois a função do homem é dominar a natureza. Ele se volta sobre o mundo a fim de organizá-lo. Daí entrarem em ação todas as forças naturais em seus filmes.

Ao mesmo tempo ele deve se olhar, reflexivamente, pois para dominar a natureza deve, também, saber quem é.

Já a mulher é a própria natureza. Daí o seu papel: ser conquistada. Douchet nota, no entanto, que à medida em que a obra evolui, a mulher passa a ter um papel cada vez mais dominador, mais ativo, como em “Rio Vermelho”.

Somos levados sempre pela ação. São filmes de ação, pois o mundo é movimento.”


O filme novo de Monte Hellman, Road to Nowhere, ganha data de estréia no Brasil: 21 de outubro próximo (quem é ou mora próximo de São Luis do Maranhão poderá ver antes num festival que será organizado pela Lume). Expectativa a mil, disparado o filme mais promissor do nosso circuito de lançamentos. A Lume também já disponibilizou as datas previstas para os demais primeiros filmes que lançará nos cinemas, começando por Lola, de Brillante Mendoza.

Os primeiros filmes distribuidos pela Lume (com datas sujeitas a alterações, é sempre bom lembrar):

22/07 – Lola [Lola, Filipinas, 2009], de Brillante Mendoza

12/08 – Tudo estará bem [Everything Will Be Fine, Dinamarca, 2010], de Christoffer Boe

02/09 – Submarino [Dinamarca, 2010], de Thomas Vinterberg

30/09 – Hiroshima – Um musical silencioso [Hiroshima, Uruguai/Argentina/ Colômbia, 2010] de Pablo Stoll

21/10 – Caminho para o nada [Road to Nowhere, EUA, 2010], de Monte Hellman

Mostra Julio Bressane no Canal Brasil

Aos curiosos e interessados pelo diretor Julio Bressane, o Canal Brasil começa agora em julho uma mostra dedicada ao cineasta, exibindo grande parte de sua filmografia ao longo dos próximos meses (a previsão é terminar em outubro). A grande notícia é ela começar com o raro e inédito Barão Olavo, O Horrível (1970), que passa nessa madrugada de domingo para segunda e deverá ser reprisado ao longo dessa semana. De acordo com as descrições, o filme é uma comédia experimental calcada nos filmes clássicos de terror e seus personagens, e conta com as participações de Guará Rodrigues e Lilian Lemmertz, entre outros.

Programação em Julho:

Barão Olavo, O Horrível (1970) – Segunda, 04/07, 00h30

O Mandarim (1995) – Segunda, 11/07, 00h30

Dias de Nietzsche em Turim (2001) Segunda, 18/07, à 00h30

Sermões – A História de Antônio Vieira (1989) Segunda, 25/07, à 00h30

Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) (65’) Segunda, 01/08, à 00h30

Melhores do Semestre

1. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Apichatpong Weerasethaku)
2. Singularidades de uma rapariga loira (Manoel de Oliveira)
3. Além da vida (Clint Eastwood)
4. Homens e deuses (Xavier Beauvois)
5. Cópia fiel (Abbas Kiarostami)
6. Incontrolável (Tony Scott)
7. Ricky (François Ozon)
8. Potiche: Esposa troféu (François Ozon)
9. O vencedor (David O. Russell)
10. Passe livre (Bobby e Peter Farrelly)

– valendo apenas filmes que estrearam nos cinemas brasileiros no primeiro semestre de 2011;
– devo ter visto cerca de trinta filmes lançados nesse período, mas ainda não conferi títulos importantes como Meia-Noite em Paris e Vênus Negra, entre outros, que talvez estivessem presentes na lista acima, caso os tivesse vistos (o que deve ocorrer até o final do ano);
– muita coisa ficou de fora, alguns dos que gosto consideravelmente e vários outros bastante apreciados por muita gente;
– dois filmes de François Ozon numa lista tão pequena expõe bem o que ela tem de problemática. Na verdade, ela é mais um sintoma e consequência do que rolou nos cinemas brasileiros (e dentre do que eu pude ver) nesse semestre, o que demonstra que o circuito de estréia não está nada bem;
– dito isso, devo afirmar que gosto muito dos cinco primeiros, o sexto e o sétimo também possuo em grande conta, enquanto que os três últimos aprecio em certa medida, mas com ressalvas.