Multiplot

De blog coletivo a revista eletrônica de cinema. Depois de um tempo em recesso o Multiplot ressurge num espaço diferente, reformulado, e com nova estrutura, onde pretendemos continuar um trabalho na linha do que muitos de nós faziamos no Cineplayers. No lançamento, um especial dedicado ao mestre Max Ophüls, com perfil e textos sobre quase todos os seus filmes. Outros especiais com o tempo surgirão por lá. Disponíveis também artigos e críticas sobre a Nova Hollywood, estréias, Lynch, Carpenter, Sganzerla, etc. Não deixem de conferir.

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Road to Nowhere (Monte Hellman, 2010)


Finalmente Road to Nowhere caiu na rede em BDRip. Em seu retorno ao cinema após vinte anos Monte Hellman não poderia nos oferecer menos que um belo filme como esse, mas difícil lidar com a expectativa e não ficar em um misto de frustração com deslumbramento, mas sempre em imersão absoluta (poderia permanecer no mínimo umas cinco horas acompanhando suas imagens e histórias dispersas mesmo com a falta de legendas, ainda que a ausência delas tenha me atrapalhado um bocado). É prazeroso e nada complicado de acompanhar, mas também para se pensar e crescer em nossa cabeça enquanto repensamos depois de vê-lo, e sempre distante dum cinema de historinha, uma vez que sua narrativa se dispersa e se conecta ao longo da projeção em direção a um fechamento total sobre si mesmo, mas sempre em torno de três eixos: na produção de um filme que está sendo rodado (também chamado Road to Nowhere, e que se confunde com o filme de Hellman algumas vezes); num crime o qual o filme-dentro-do-filme se baseia; e um terceiro eixo funcionando em volta das conversas gravadas em vídeo entre o diretor (Mitchell Haven, interpretado por Tygh Runyan) e o blogueiro cujo material serviu de fonte para o filme. Poderia estar inscrito na linha de certos filmes-ensaios de Abel Ferrara, aqueles que não pertencem a nenhum gênero específico (terror, policial, ficção cientifica) e que lidam sobretudo com todo um repertório de imagens e a verdade particular que se pode extrair delas. Pretendo retornar ao filme mais vezes ainda nesse ano e quem sabe escrever algo mais consistente sobre ele.