A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)

Não é exagero considerá-lo uma experiência única, não no sentido de inseri-lo num pedestal acima dos demais filmes, mas de algo distinto e à parte de tudo que tenhamos visto antes (por mais que semelhanças com outros filmes possam ser invocadas). No fundo, The Tree of Life é um filme-problema: entre a picaretagem e a condição de obra-prima para a qual foi laboriosamente concebida e calculada, termina por se sufocar no exaustivo trabalho de montagem e de conceito no qual gira em torno (não raro girando em falso). É filme para aborrecer alguns, e deslumbrar outros tantos, porém ganharia um bocado se fosse bem mais objetivo confiando um pouco menos na sua subjetividade: obras como 2001 – Uma Odisséia no Espaço e Era uma Vez no Oeste (apenas para citar dois trabalhos distintos e antagônicos, mas que lidam com pretensões não muito distantes ao do último filme de Malick) são bem maiores por justamente com suas forças cósmicas de a partir de um universo que surge e se expande no meio do nada, e dos movimentos de corpos no espaço (terreno ou espacial), lidarem com possibilidades de esferas em jogo e em frente ao grandioso e desconhecido, mas sem a necessidade de serem tão vagos quanto A Árvore da Vida. As comparações podem soar sem propósitos ou sentido, no entanto ajudam a explicar porque eu gosto (muito, por sinal) de The Tree of Life, porém jamais o colocaria perto da genialidade dos filmes citados de Kubrick ou de Leone (ou dos melhores de Tarkovski, com o qual a sua subjetividade metafísica ajuda a vendê-lo como algo equivalente). A Árvore da Vida é um filme-evento dentro do chamado cinema de arte, e sua dimensão parte mais desse pressuposto (que é anterior ao filme) do que do filme em si. Os comentários podem dar a entender que gosto bem menos dele do que de fato o aprecio, mas talvez por justamente ser mais fácil revelar suas fraquezas do que apontar suas virtudes (a não ser que falemos de todos os conceitos que giram em torno dele e que são citados em praticamente todas as suas resenhas). Não são poucas as imagens que parecem tiradas de algum documentário do National Geographic e já gostei bem mais de Brad Pitt no cinema, porém aqui em momento algum o enxergamos como um personagem se não o próprio Brad Pitt recrutado em cena para dar credibilidade comercial a um projeto tão arriscado (vale lembrar que ele também é um dos produtores). Mas como explicar a vontade imensa de rever o filme logo no dia seguinte? Ele se sustentaria ou cresceria em uma revisão próxima ou futura? Deixo para descobrir a resposta para daqui alguns anos (ou ao menos alguns meses), curioso para saber como o tempo tratará a pretensa obra-prima de Malick (independente de sua condição de filme-evento e premiado já garanti-lo numa posição de respeito na história do cinema do século XXI). Um filme tão esquizofrênico quanto instigante. Por ora, um top pessoal com a filmografia do diretor:

Terra de Ninguém (1973) *****
Cinzas do Paraíso (1978) *****
A Árvore da Vida (2011) ****
Além da Linha Vermelha (1998) ****
O Novo Mundo (2005) **

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8 Respostas para “A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011)

  1. “O Novo Mundo” eu assisti no cinema e pensei que seria melhor cotado, claro que é a versão carne e osso do desenho Pocahontas da Disney, mas ainda assim a “marca” do diretor está presente em cada frame do filme.
    abs

  2. Elson, sei que sou voto vencido em relação a “O Novo Mundo”. Gosto muito do começo e do final, e o filme todo é visualmente deslumbrante, mas o seu miolo me cansa muito. A meu ver, o filme é comprometido por problemas de ritmo. E Colin Farrel não ajuda muito ali.

  3. É eu vim para reclamar da cotação de O Novo Mundo também hehe Mas como já fizeram isso por mim, vou só dizer que daria 5 pra Árvore e Novo Mundo e 4 para Badlands e Cinzas.

  4. Primeiro do Malick que vejo,e pra falar a verdade só vi por causa da falação toda que filme causou,e ainda bem,maior surpresa…,tô até querendo ver esse Terra de Ninguém,dizer ser o melhor dele.

    • Badlands é Malick filmando com pouco dinheiro, algo que eu gostaria que um dia voltasse a ocorrer (embora goste dos filmes que ele fez depois).

  5. Ahhh,fugindo do assunto, vi que vc assistiu O Território do Raoul Ruiz,procurei em todo lugar e não achei p/ baixar. Se possível,vc poderia me mandar algum link do filme?
    Vlw!

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