O Cavalo de Turin (Béla Tarr, 2011)


Á parte tudo que se diz dos filmes de Béla Tarr me impressiona em O Cavalo de Turin o quanto ele se aproxima do cinema mudo. E não me refiro aos silêncios e escassez de diálogos (que não raro são procedimentos recorrentes num certo tipo de cinema autoral), mas como arte visual mesmo, o trabalho a partir de uma estética que ao natural se assemelha antes de mais nada ao cinema mudo. O fluxo de imagens com os planos que decorrem num andamento lento, num espaço da casa (e fora dela) onde parece não ocorrer nada, porém marcado de perpétua repetição, espaço essencialmente concreto e materialista, que reduz o mundo ao pai e a filha confinados, o cavalo doente, o poço, as batatas, os vendavais, a carroça, etc. O filme não deixa de ser um deleite para os olhos, que me fez pensar em Sjöstrom, até a música e ruidos sonoros remetem à alguma trilha escolhida para acompanhar um filme do cinema mudo, como se estivesse vendo um melodrama concebido e filmado em 1927. Ou então suspenso no tempo como que não pertencendo a nenhum em específico.

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