Carnage ( Roman Polanski, 2011)


Quase um retorno de Polanski às comédias insanas do começo de sua carreira (Cul-de-Sac, Que?), aqui restrito ao espaço de um apartamento, mas sem a mesma estrutura anárquica. Um casal que não consegue ir embora, outro que não pode se livrar da visita que logo se revela indesejada. Carnage se mostra melhor em sua primeira metade, com os personagens ainda forçando uma certa polidez, mas com uma tensão subentendendo-se e evidenciando-se na tela. Quando os personagens despirocam, o filme cai junto com eles, embora sempre nos preservando interessados. Polanski é correto demais com sua sátira, o que acentua as limitações do texto, reforçando as origens teatrais. Tivesse o seu humor não sido tão previamente calculado, e seu cinismo tão entregue na boca dos personagens que vão trocando farpas entre si (primeiro casal contra casal, depois homens versus mulheres), teriamos um ótimo filme, não apenas um que nos prende a atenção por setenta minutos (o tempo total de metragem, descontado os créditos), mas cujo impacto logo vai se enfraquecendo na memória. Fica como um curioso filme menor de Polanski feito após o muito bem-recebido O Escritor Fantasma.

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2 Respostas para “Carnage ( Roman Polanski, 2011)

  1. No mínimo curioso, acabei de ver o trailer.

    Gostaria de receber sua visita no cinema pela arte, acabei de postar sobre “O Deserto Vermelho” de Antonioni.

  2. Oi, Emmanuela. Ainda outro dia tava lendo os posts do Cinema Pela Arte, vou lá ver o texto do Antonioni. Polanski sempre vale a pena uma espiada.

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