Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha (Helena Ignez e Ícaro Martins, 2010)

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Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, Helena Ignez e Ícaro Martins, 2010 ***¹/²

Buscando emular o bom e velho cinema de invenção brasileiro que, a despeito de algumas tentativas, perdeu-se no tempo, Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha se resolve bem em termos de imagem, e mal em termos de texto. “De todo passado não lembro nada, ah não ser o que trago no cérebro” é só uma das tantas frases que depõem contra o próprio filme. Há uma bagunça que funciona visualmente e que corresponde a muito do seu desejo de cinema, com estas imagens por vezes chapadas, de uma textura ultracolorida que não fere os olhos por passar longe de qualquer afetação, além do belo trabalho de câmera na mão, travellings circulares, zooms abruptos e efeitos sonoros que contribuem para o clima pretendido.

Porém, creio que ele se sairia melhor se reduzisse o seu texto apenas ao essencial, evitando assim lugares-comuns e clichês verbais que enfraquecem o filme. Há uma confusão também no sentido de Luz nas Trevas ser um filme perdido no tempo que a principio é bastante positivo. Figurinos que remetem aos anos setenta, filmagem em Super-8 e carros da época misturados a toda uma parafernália tecnológica atual. O problema é adotar uma mesma postura que era pertinente no filme original de 68 (quando ser marginal era ser herói) e absolutamente deslocada hoje em dia (quando bandido é bandido, e os heróis não existem), sendo implausível invasões individuais em recintos superprotegidos de políticos ou ricaços de classe média alta, como é mostrado em Luz nas Trevas para repetir muito do charme do Bandido dos anos 60.

Um discurso velho que se choca com a jovialidade que Luz nas Trevas atinge ao natural com o seu cinema. Uma postura demodê do criminoso como uma figura romântica na qual provavelmente nem os realizadores acreditam mais e que poderia ser pensada e trabalhada de outra forma, para que assumisse uma dimensão política mais condizente com o nosso próprio tempo, caminhando à sua maneira a um apocalipse (como no primeiro filme), e não a um providencial retorno à ordem, com a inversão irônica que ocorre entre pai e filho perto do final. Há lamentar também o clipe no desfecho em que Ney Matogrosso se assume como a si próprio e não ao personagem que interpreta.

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