Cuadecuc, vampir (Pere Portabella, 1971)

Peguei alguns filmes de Pere Portabella para assistir. Estava devendo um comentário sobre Cuadecuc, vampir, um trabalho ao qual tive que retornar. O imdb dentro de suas classificações ortodoxas de gênero além de terror o tem como documentário, nada poderia estar mais distante em relação ao filme (seria o mesmo que reduzir, por exemplo, um Serras da Desordem a tal). Ele foi filmado enquanto Jesus Franco fazia a sua versão mais convencional de Drácula, daí Portabela (ex-produtor de Buñuel) aproveitou o mesmo elenco e fez a sua própria adaptação do romance de Bram Stoker, em 16 mm., num preto e branco de alto contraste, e praticamente sem falas, o que lhe garante uma força que remete e recupera muito do fascínio dos primeiros filmes expressionistas de terror do cinema mudo. Algo que tem a ver mais com textura do que simples opção pela ausência de cor, a película apresenta um aspecto degradado como se o filme houvesse sido resgatado de um baú onde tivesse permanecido trancado desde o tempo em que a história original transcorre, do que propriamente filmado décadas depois. A confluência destas imagens e a convicção com que são apresentadas conjura delas um encantamento, um desejo no espectador de se perder nelas sempre muito envolvente, numa energia constante que sustenta o filme. Enquanto vai se desenvolvendo naturalmente como uma ficção natural, Cuadecuc, vampir incorpora trechos com a equipe técnica, o ambiente das filmagens, e mistura alguns ensaios (entre os quais Christopher Lee lendo trechos do romance de Stoker no final). Vemos o filme enquanto ele vai se fazendo, enquanto flui constantemente a cada plano e sequência. Christopehr Lee repete uma vez mais o papel que o tornou imortal (deve ser o melhor filme em que interpretou o personagem junto com o primeiro dos que fez com Terence Fischer), a mítica Soledad Miranda faz a sua musa e o recém-falecido Herbert Lom é visto como Van Helsing.

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3 Respostas para “Cuadecuc, vampir (Pere Portabella, 1971)

  1. Herbert Lom estava vivo ainda? E agora Morreu? Nunca me esquecerei do duplo téte a téte que ele teve com James mason em meados dos anos 40 com Hotel Reserve e The Seventh Veil ainda em início de carreira…
    Essa coisa de ter me afastado do cinema, está me deixando desatualizada em demasia, levei quase dois meses pra descobrir que Christopher Challis havia morrido esse ano!

  2. Pois é, era quase centenário, escreveu romances também (e foi até Napoleão na versao de King Vidor de Guerra e Paz), ficou faltando um top dele em seu blog quando ele morreu.

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