Tabu (Miguel Gomes, 2012)

tabu

Tabu, Miguel Gomes, 2012 ***¹/²

De certa forma uma decepção após todos os elogios em sua passagem pelos festivais. Miguel Gomes é um realizador talentoso, mas possivelmente com um olhar cinéfilo ainda mais esperto. Faz belos (mas não grandes) filmes, que podem nos enganar fazendo crer que estamos diante de uma obra-prima. Um registro entre o artifício e o natural, a fábula e a contemporaneidade (maior ainda no caso de Tabu). Aquele Querido Mês de Agosto se valia do recurso da passagem do documentário pro filme de ficção, com o artifício se fazendo notar de forma bastante evidente (sem ser um Serras da Desordem, entretanto), e passado alguns anos talvez não diga tanto quanto na época em que foi tão bem-recebido. Com Tabu, o artifício é a inevitável ligação com o cinema mudo, a começar pelo próprio título (que remete a Murnau e sua fita de amor colonial com o mesmo nome), o preto e branco, e a própria maneira como a segunda metade (a melhor) é narrada, em que não ouvimos os diálogos, apenas o som ambiente e a música que os personagens produzem, além da voz off do personagem masculino a recompor sua história nos situando nela, ao invés de como era com os letreiros explicativos do cinema mudo. A primeira parte, que transcorre em Portugal dos nossos tempos, é fraca, nem se trata de tempos mortos, mas de tempos perdidos como mero pretexto para localizar o filme em nossa época e depois retornar ao que interessa: o seu longo flashback com o casal mais jovem na África dos anos 60. Novamente um objeto exótico, repetindo alguns mesmos procedimentos do Aquele Querido Mês de Agosto, como a utilização de canções populares para se atingir uma determinada atmosfera (o que resultou numa das cenas mais elogiadas do filme anterior). A dúvida é se o cinema de Miguel Gomes sobreviverá além de certo exotismo e artificios, ou se resiste a cinco ou seis filmes. Ou entao caso para revisões futuras, talvez. Mas à parte serem filmes tão diferentes, não o vejo como um Holy Motors (existe uma diferença entre ser extravagante e ser exótico), ou nem mesmo um Cosmopólis ou Habemus Papam, para ficarmos em outros filmes contemporâneos.

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