Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo (Claude Chabrol, 1994)

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Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo, Claude Chabrol, 1994 ***

Muitos da minha geração devem ter tido um primeiro contato com a obra de Chabrol através desse filme (não sei se passou nos cinemas brasileiros na época, mas existia em VHS por aqui e a Bandeirantes o exibia), ao mesmo tempo em que foi lançado num momento em que críticos mais velhos começavam uma reavaliação do veterano cineasta, que àquela altura iniciava um período de plenitude em sua obra que se estenderia até o seu falecimento em 2010. Rever Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo, entretanto, depois de já percorrer as melhores obras de Chabrol é um tanto decepcionante. Deve-se encará-lo na conta de um filme menor dele. O ciúme já rendeu grande literatura, e quase na mesma época Kubrick e Chantal Akerman puderam fazer grandes filmes utilizando-o como um de seus temas por contarem com material excelente a partir dos romances de Schnitzler (De Olhos Bem Fechados) e Proust (A Prisioneira). Porém apenas com as idéias e o roteiro deixado por Henri-Georges Clouzot (que não conseguiu transformá-lo em filme), Chabrol nem sempre consegue traduzir esse sentimento (ou estado de espírito) de ciúme que na tela vira um tanto óbvio reduzido a paranóia do marido (não se trata de uma descida ao inferno como no filme de Kubrick). Na primeira perseguição hitchcockiana do personagem masculino atrás da esposa (que lembra Vertigo e Na Cidade de Sylvia) parece que o filme pode surpreender, mas ele não vai muito além. Por outro lado, se pode dizer que vale muito por causa da beleza de Emmanuelle Béart (que imagino que na época pelo menos para quem havia visto A Bela Intrigante era o sonho de consumo de todo mundo), só que o filme acaba trabalhando numa chave de “como não sentir ciúmes com uma mulher dessas?” que o limita bastante (algo que Kubrick saberia tão bem evitar com Nicole Kidman em De Olhos Bem Fechados). Talvez Clouzot soubesse que era um filme que funcionaria melhor no papel do que na tela, porém Chabrol se esforça ao menos para entregar um trabalho que não mancha sua reputação como alguns dos períodos mais baixos de sua filmografia. Mas ele vale bem mais por todos os filmes que se seguiram a este.

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2 Respostas para “Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo (Claude Chabrol, 1994)

  1. é bem bom, mas depois de ver muitos outros do diretor ele fica no máximo num plano intermediário na filmografia dele.

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