No Assombroso Mundo da Lua (Robert Altman, 1968)

Countdown, Robert Altman, 1968 ***

Curioso porém envelhecido exemplar da corrida espacial em plena Guerra fria nos primórdios da Nova Hollywood, quase um novo debut de Robert Altman no cinema depois de anos trabalhando na TV (seu único filme anterior fora rodado uma década antes), com foguetes, chegada a Lua, americanos e russos… Altman não chega a sabotar o gênero de ficção como faria com outros em trabalhos posteriores, a chave aqui parece ser transgredir alguns elementos de suposto escapismo das fantasias sobre o espaço feitas até então, imprimindo uma aparência maior de realismo (e enfatizando os problemas domésticos dos astronautas), mas sem a mesma invenção e imaginação de muitos sci-fic que lhe precederam. Díficil não comparar com o 2001 de Kubrick lançado no mesmo ano, que faz incomparavelmente melhor essa ponte para a modernidade, como transição do ‘velho’ para o novo, acrescentando à todos os elementos o de poesia. Perto de 2001, que parece eternamente suspenso no tempo e ligado a um futuro sempre indeterminado, Countdown se afigura irremediavelmente datado e preso a 1967. A sequência final é muito boa.

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2 Respostas para “No Assombroso Mundo da Lua (Robert Altman, 1968)

  1. Estava lendo e coincidentemente vai ter uma mostra do Altman aqui em BH assim que acabar a do Hawks. Devo admitir que por ele não ter tanto prestígio entre os cinéfilos fiquei meio decepcionado, já que esperava Hitchcock ou alguém mais reconhecido. De qualquer forma tem algum filme dele que acha imprescindível?

  2. Tem vários. Não chega a ser um diretor tão imprescindível mas acho que grande parte da filmografia merece ser conhecida. Há algo de jazzístico nos melhores trabalhos dele, além de uma releitura/desconstrução de gênero as vezes interessante, ao mesmo tempo que um crítico um tanto implacável e sardônico das convenções. O problema do Altman é que ele não teve lá bons seguidores, suas influências resultam em excecrâncias como os irmãos Coen ou Soderbergh, que surgiu como uma figura do cinema independente na linha do Altman (talvez o seu melhor seguidor seja um cineasta chamado Alan Rudolph, bem conhecido lá fora mas do qual preciso ver mais filmes). Dos fundamentais: Mash (ainda que esse seja um ame ou odeie – eu pelo menos adoro), McCabe & Mrs. Miller, The Long Goodbye (provavelmente o melhor), Renegados Até a Ultima Rajada, O Jogador… Estou por ver Três Mulheres, que também é dos mais elogiados. Outros que valem uma conferida: Voar É Com os Pássaros (foi uma decepção pra mim, mas tem seus admiradores), Jogando com a Sorte, Nashville, Buffalo Bill, Popeye (bastante odiado, eu particularmente acho foda, ainda que um tanto irregular), Short Cuts, e dos últimos, Gosford Park… Se puder arrisque também um que só conheço de título e sinopse: That Cold Day in the Park. Mas ele tem muita coisa, cujas opiniões variam de pessoa para pessoa.

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