Partner (Bernardo Bertolucci, 1968)

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Partner, Bernardo Bertolucci, 1968 ****

A maioria dos filmes de Bernardo Bertolucci ficaram datados com o tempo, até a hora em que ele próprio passou a fazer filmes natimortos. A grande fase de sua carreira permanece a da década de sessenta, quando talvez não por acaso ele se aproximava de clássicos literários insuspeitos e de caráter universal para transpô-los a sua época e falar de seu tempo. Foi assim com A Cartuxa de Parma de Stendhal que virou Antes da Revolução e o conto de Borges Tema do Traidor e do Herói que utilizou de base para A Estratégia da Aranha. Entre os dois, se serviu de uma das mais densas novelas psicológicas de Dostoievski, O Duplo, para realizar este Partner, um dos limites finais do cinema de Bertolucci em matéria de ousadia formal. Político e godardiano (faria uma bela sessão dupla com La Chinoise), é um perfeito espelho de seu tempo, do dilaceramento, incertezas e até esquizofrenias da juventude engajada de 68, muito longe de qualquer idealização ingênua (os melhores filmes a fazer uma crítica lúcida e positiva da esquerda foram concebidos por diretores de esquerda).