Garota Exemplar (David Fincher, 2014)

gonegirl

Gone Girl, David Fincher, 2014 ***

Um Supercine de luxo. Thriller absorvente, o problema nem é a inverossimilhança, que um Hitchcock defendia veementemente ainda mais num gênero como o suspense, mas os absurdos e excessos rocambolescos que só o comprometem e o afundam. Bem filmado, mas um tanto descartável, ainda que envolvente, da mesma forma quando nos contam uma anedota, no caso uma anedota ruim, mas que nos prende a atenção enquanto a acompanhamos porque quem a revela sabe contá-la. Preferia ter visto um Millenium 2, até porque a galeria de personagens femininas de Fincher é bem mais interessante que se supõe ─ até Millenium, pelo menos, porque a de Gone Girl nem é uma personagem, mas várias numa só, o que por mais que o teatro de aparências esteja em jogo e em discussão, ocorre porque o material assim o deseja em sua vontade de manipulação, não pela coerência interna e plausível que seria o mínimo a se esperar dentro das metamorfoses que passa a protagonista. Há algo de quase notável na primeira parte (incluindo na personagem feminina), quando alterna os pontos de vista de marido e esposa, cada um narrando sob o próprio ponto de vista o processo de transformação do matrimônio até a queda e sumiço da mulher. Depois um tanto cínico, porque passa de mulheres que sofrem nas mãos de maridos desinteressados e egoístas para mulheres psicopatas e aterrorizantes que destroem com homens coitadinhos. Pode ser divertido, mas mal se presta a revisões.

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