Debi e Loide 2 (Bobby & Peter Farrelly, 2014)

Dumb-and-Dumber

Dumb and Dumber To, Bobby & Peter Farrelly, 2014 ***

Preparando um comentário curto para a minha lista de melhores de 2014 este tomou um tamanho maior do que esperava e o guardei para um post a parte. O cinema dos irmãos diretores precisa de grandes atores (cuja falta prejudicava os irregulares últimos trabalhos), esse retorno as suas origens não apenas recupera uma das grandes duplas cômicas da história como também um bocado da mescla de estupidez com sensibilidade que vinha fazendo falta nessa fase recente, marcada pelas dúvidas se os realizadores viviam em crise ou em declínio. Ainda que as piadas tolas existam em alguma quantidade conta com outras antológicas, como o coma fingido do personagem de Carrey (lembra um dos filmes de Laurel e Hardy em que o primeiro apenas para obedecer ordens permanece vinte anos numa sentinela mesmo a Primeira Guerra há muito ter acabado) ou os dois numa longa volta retornando para bater no endereço do remetente ao invés de se dirigirem ao destinatário de uma carta. Menos inspirado que o primeiro, mas bom o suficiente para nos despertar o desejo de que os personagens virassem franquia regular, e não somente deixar a expectativa de um terceiro daqui vinte anos.

2014

Um balanço mais do meu ano cinéfilo em relação ao circuito de estreias nos cinemas brasileiros do que propriamente um top. Mais uma lista de autores que de filmes. Preferindo dentre os filmes que vejo as revisões incessantes e o passado sempre maior que o presente do que as atualidades que correm o risco de desaparecem sem deixarem vestígios no ano seguinte. Ou na semana seguinte. Com salas de cinema restritas aos parcos e desinteressantes lançamentos que aportam em Rio Grande e Pelotas acaba que vejo menos do que gostaria. Devo ter assistido em torno do triplo do número de títulos listados abaixo no que estreou no Brasil em 2014. Os que mais apreciei foram de cineastas cujas carreiras acompanho com atenção.


1) Era uma Vez em Nova York (James Gray)
O triunfo da dramaturgia, da encenação, da inteligência e da elegância.


2) Bem Vindo a Nova York (Abel Ferrara)
Uma questão moral e de poder muito longe de um filme moralizante. E o trabalho que Depardieu (Jacqueline Bisset também está um assombro) merecia há umas duas décadas.


3) O Gebo e a Sombra (Manoel de Oliveira)
Purgatório heróico. Filme de fantasmas.


4) Amar, Beber, Cantar (Alain Resnais)
O crepúsculo da fase tardia de Resnais e suas obsessões com a vida como um grande teatro, em que há espaço para a comédia e emoções diversas (além de gênio o cinema perdeu ano passado um dos seus grandes gozadores).


5) Jersey Boys (Clint Eastwood)
Não o melhor Clint recente (o posto ainda é de Hereafter), mas outra sempre bem-vinda refrescada em seu cinema sem perder sua assinatura e autenticidade.


6) Debi e Loide 2 (Bobby & Peter Farrelly)
Só o retorno de uma das melhores duplas cômicas do cinema, com as grandes piadas se sobrepondo bem às mais tolas.


7) Vidas ao Vento (Hayao Miyazaki)
Pequena animação de imagens encantadoras


8) Cães Errantes (Tsai Ming-liang)
Radical experiência de contemplação.


9) O Ciúme (Philippe Garrel)
Um tanto formatadinho para o público recente do cinema do diretor, cujo estilo precisa se voltar contra o que ele próprio se tornou, mas um Garrel batendo cartão é ainda superior a maioria dos outros cineastas.


10) Uma Relação Delicada (Catherine Breillat)
Beira o desagradável, mas não o ofensivo, com o corpo de Huppert perigando sucumbir à doença e a velhice.