Hércules e a Rainha da Lídia (Pietro Francisci, 1959)

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Ercole e la regina di Lidia, Pietro Francisci, 1959 ***¹/²

Uma pena o peplum não entrar em moda e ser alvo de maiores atenções entre os cinéfilos. Os italianos tinham uma ótima tradição e pegada pro filme de gênero (horror, western, policial), e estes da safra das aventuras mitológicas dos anos 50/60 não ficam devendo muito ao que se fez depois. Eles são como que o filme B das superproduções hollywoodianas infladas, um trabalho de síntese com a aventura e o que realmente interessa reduzidos ao seu essencial, à sua depuração. Mesmo um representante um tanto menor como esse Hércules e a Rainha da Lídia (a melhor porta de entrada são os dirigidos por Vitorio Cottafavi)  vale bastante como divertimento e apreciação estética do que o gênero pode proporcionar (caso alguém precise de um referencial para ter uma ideia sobre os peplums, pensar nos dois Conan dos anos oitenta, que não seria exagero enxergar como os equivalentes na sua época ao que alguns dos italianos fizeram vinte anos antes).

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Anjo Negro (Jean-Claude Brisseau, 1994)

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L’ange noir, Jean-Claude Brisseau, 1994 ****¹²

Forma com Basic Instinct de Paul Verhoeven a double bill das grandes releituras do film noir nos perversos anos 90: em comum, as femmes fatales louras, os assassinato logo no prelúdio, a investigação masculina por trás do passado da mulher como a aranha a tecer suas teias, e a consequente queda perante seus mistérios à medida que vai descobrindo os seus podres e comprometimento, e a ambiguidade sempre presente em meio ao jogo de pistas e de suspense. Como é bom se perder no universo de Brisseau a filmar anjos e demônios erguendo e destruindo seus próprios infernos e paraísos pessoais; ao fim, ser livre não é estar somente fora da prisão, mas além.